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Avulsa -2

Rómulo, Nome de Código

Rómulo, Nome de Código

I Antologia de Poetas Lusófonos

Rómulo, Nome de Código

Lis & Lena

Poema de Outono

Avulsa - 1

TRIPEÇA

O Legado de Mireia

IN PULVEREM

Renascer em Córdova (II)

Renascer em Córdova (I)

O ODRES

I Antologia de Poetas Lusófonos
A participação

DIA CONTÍNUO

São longas as horas da monotonia
no dia contínuo
sem estações de muda
ao longo da planície branca
onde o grito pára e fica
e paira
no silêncio.

 
É comprida a luz da monotonia
toalha que se desdobra
sem migalhas dia a dia
ao longo do céu de mármore
onde a estrela se fixa pára
e fica
espelho.

 
quão longo o caminho redondo
do cego animal da nora.

(Pág. 160)

 
DEFINIÇÕES

                              (Menção honrosa, nos Jogos Florais do III Outono Poético,
                               em Monsaraz -1996)  - em poesia livre com o tema: ao portado da saudade

Portado:
         porta, portão ou portal.


Portar:
         verbo; carregar, levar.

Portado:
           particípio passado.

 Saudade:
            passado participando.

 
Ao Portado da Saudade
vou o passado levando,
em levas de dia-a-dia,
mais leves ou mais pesando
que quando o giro inicia
dura não se sabe quanto.            

Ao Portado da Saudade,
portado, portão, portanto
quanto mais avança a idade
menos vida e mais quebranto,
mais particípio passado
e menos participando
no portal, portão, Portado
da Saudade vou ficando.

(Pág. 161)

NAVEGAR EM DIAS CLAROS

 
Ansiar o entardecer
da madrugada plena
perseguindo a incerteza de sucesso
com ondas de escuridão erguidas por marés
de mares vazios
onde marear é um desafio
visionário
porque é preciso inventar a água
imaginar o barco
e não ter remos
além dos dedos
até despontar a penumbra
do quotidiano.

 
Voltar depois
todas as vezes que sejam
todas as asas que possam
arrancar as penas
das almofadas macias da estagnação
dos ossos
e libertar os voos aprisionados
por calcanhares de aqueles
acomodados em pedestais de bruma.

 
E então sim empurrar o nevoeiro
para navegar asas e barcos
em dias claros.

(Pág. 162)

 

PASTOR DAS LETRAS

(Primeiro prémio – décimas - nos Jogos Florais do III Outono Poético em Monsaraz - 1996)

 

MOTE (obrigatório):

E fui pastor da saudade
Pela solidão do monte
No restolho da herdade
Achei o povo distante...

 

GLOSA

Escolhi o meu rebanho
entre montes de alfabetos
cheio de sinais dispersos,
pequenos e de outro tamanho,
mais ao rude ou mais afectos,
mais à prosa ou mais aos versos,
mais ao doce ou mais montês
mais ao sonho ou à verdade;
escolhi o português
E FUI PASTOR DA SAUDADE.

 
Fui, então, por esses prados,
meu rebanho apascentando,
em formas de ouvir e ler:
foram romances virados,
versos de lira trinando,
crónicas de história e saber,
sermão, teatro, epopeia,
profecias de horizonte ...
Fui pastor com alma cheia
PELA SOLIDÃO DO MONTE.

 
Trago o rebanho mais grosso,
bem criado e bem nutrido;
passou mares, passou ventos,
aqui perda, além reforço,
chega mais enriquecido,
após vários cruzamentos;
com criações de que ele só
tem registo e propriedade
regressa o rebanho ao pó
NO RESTOLHO DA HERDADE.

 
São letras, letras, caudais,
rimas de folhas escritas,
Torres -Tombo, bibliotecas,
tábuas de montes sinais,
meditações eremitas,
artifícios de poetas ...
Moisés descendo da sarça,
a multidão, inconstante,
não se interessa nem disfarça,
ACHEI O POVO DISTANTE.

(Pág. 163)

Luís Vieira da Mota



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